quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dias de sol

Finalmente Sol! Sol nos meus dias e na minha alma. Terminou a escuridão que ensombrava cada momento, até aqueles considerados com felizes, mas nunca foram completamente felizes. Finalmente Sol. Agora percebo quando dizem que o sol quando nasce, nasce para todos; mas como até hoje estive determinada a viver escondida na sombra, nunca percebera a beleza e a tranquilidade que um raio de sol nos transmite e que nos aquece a alma. Finalmente Sol,e já me banhei nele, aproveitando cada raio como o último; ou como o primeiro de muitos.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Escrever porquê?

Escrever, escrever. Tenho de escrever. Mas escrever o quê? Para quê? Porquê? E para quem? Perdi o entusiasmo, a paixão. Perdi o ânimo. Apagou-se a chama que havia em mim, e o vento levou a minha alegria com ele. Sorrir, dançar, correr, gritar, lutar, perdi a vontade de tudo isto. Perdi a vontade de sonhar. Ganhei o pior: a dura realidade. A dura e triste realidade que se assemelha à velha carpideira, que nos mói a cabeça, nos entristece o olhar e nos mata a alma. Escrever porquê? E para quê? Se a única coisa de que sei falar é desta dor que me dilacera o peito. Uma alma vazia de sentimentos bons. Uma alma que dá as boas-vindas ao desespero e abraça a desilusão como se de uma amiga se tratasse. Não quero espalhar este sentimento atroz, que se pega como uma doença. Dor. Dor é o maior peso que carrego, e o único que a velha e dura realidade me permite carregar. Por isso não escrevo. Escrever porquê? Para quê? Para quem?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Desejos Vãos


Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até a morte!

Mas o Mar também chora de tristeza ...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras ... essas ... pisa-as toda a gente! ...


Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

terça-feira, 10 de abril de 2012

Frémito do Meu Corpo a Procurar-te


Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que não me amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...


Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Turning Tables

I feel empty inside. Not having you by my side makes me feel like a shadow, a mere spectrum who wonders this sad world alone. I am fully aware that you are no good for me, but still, you are the one who makes me tick, the only who makes me want to risk everything for a moment together, a touch, a kiss... You are the reason I can't sleep at night, the reason I mourn every day for loosing what I never trully had.
Why? You are no good for me, but still, I would be able of turning tables because of you. I would turn my entire world upside down for you, for your touch, for your kisses.
Why? When you pretend not even to know me when others are around. When you only want me sometimes, when you feel like it. When I want to give myself to you, but you only want to take me by strenght. You are no good for me. But still. I want you with every single piece of my body and soul, but still, you are no good for me.
I want you but I cannot love you. You are no good for me. I won't keep truning tables for you. It is time to say goodbye to what I thought we had. To what you think we still have.

sábado, 30 de julho de 2011

fartinha que estou das injustiças deste mundo...
como reagir quando vemos uma criança adorável a chorar numa despedida forçosa e nos dizem que nem todos podem ter bons pais?
maldita humanidade!maldita sociedade que obriga seres inocentes a sofrerem nas mãos daqueles que mais deviam zelar pela sua felicidade e ainda lhes vira as costas e finge não saber!

sexta-feira, 29 de abril de 2011

porque é que as coisas boas só aparecem quando não podemos usufruí-las?
porque nos outros momentos estamos demasiado felizes para nos apercebermos de que há algo mais para além daquilo que julgávamos ser a felicidade até nos apercebermos dessas novas coisas.
é típico de português (alguns diriam típico da humanidade, porque isto ser só coisa de português é discriminação), este pensamento fatalista.
Nota-se logo quando se cumprimenta alguém na rua. Se estivéssemos num país nórdico, quando, ao cumprimentar, perguntassem como corria a vidinha, agradeceríamos e diriamos que ia muito bem. Como se faz em Portugal? "ai,sabe, ainda agora há pouco me deu aqui uma dor nas cruzes e nos bicos de papagaio, que me doem tanto. E agora os meus filhos já nem me visitam e a comida cqai-me muito mal por causa do colesterol alto, bla, bla, bla,..." Ou seja,com um simples "Bom dia", ficamos a saber a vida toda da pessoa. Porquê? É isso que eu pergunto. Será que os portugueses gostam assim tanto de se fazerem de coitadinhos, gostam assim tanto que tenham pena deles, ou gostam mais de fornecerem dados para a cusquice da semana? A sério, cansa. A pergunta "como vai?" é mera cortesia, pelo amor da santa lagartinha do pântano! Ninguém está interessado nas vossas vidinhas! Guardem isso para o consultório do psicólogo, pode ser? Poupem os meus tímpanos das vossas intimidades mais traumatizantes.
Parem de se queixar e aproveitem a vida,façam esse favor a vocês mesmos e a todas as pessoas que vos perguntam como estão passando.